segunda-feira, 13 de agosto de 2012

saudade

                                                               SAUDADE

      Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

     Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

     No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

     E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

     Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

     Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

     Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

    Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

    Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

    Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

    Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

    Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

    Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

    E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

    Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

    Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

   E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

   Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


                                                                                                                                      T

Nenhum comentário:

Postar um comentário